sexta-feira, 8 de maio de 2009

Semanticamente, o verbo sonhar abre um leque de possibilidades. Através dele, viaja-se por entre o inimaginável, preocupando-se ou não com as leis físicas. Desta forma, não há realidade suficientemente forte para destruir a pseudo-realidade do mundo dos sonhos. Constantemente perguntam a crianças, adultos e a toda pirâmide etária qual o seu maior sonho. E eu? Logo eu, tão às avessas da normalidade, torto em pensamentos. Com que eu sonho? Já sonhei com muitas coisas, que beiram o capitalismo e seu filho consumismo e até mesmo viver em comunhão com a sociedade, anarquista, socialista, comunista, como preferir, independente do sistema, sonho com uma integridade social, um conjunto sólido que possa gerar mais frutos além de corrupção e crescimento exagerado.
Sonho também que em 6,5 bilhões não sejamos um fardo pesado demais para Gaia e que ao menos uma, dentre esse montante, tenha pensamentos convergentes aos meus. Seria interessante, não mais ver a miséria, nem a dor, a injustiça e o descaso estampados no rosto de pessoas inocentes de nascença. Legal seria se a comida da minha mesa se multiplicasse e que a cada dia, novos amigos viessem com sua fome e histórias multiplicar vivências.
A eternidade. Não espero que as pessoas passem a ser eternas, acabaria com o clico natural das coisas, no entanto, espero que a eterna idade não seja vista como sofrimento e que o passo para o tão temido vale não seja proveniente de um empurrão. Claro, todo altruísmo, tem por trás gotas de egocentrismo, almejo também uma casa, apartamento, fama, sucesso, dinheiro, amor, casamento, filhos, contas a pagar, churrasco aos domingos... Não sei se o mundo de meus sonhos seria emoldurado com essas trivialidades que, apesar de eu mesmo defini-las como desprazíveis, fazem parte de meus mais profundos desejos. O conjunto, necessariamente, acarretaria em um mundo perfeito para viver em harmina. (In)felizmente, a perfeição não excede a definição, pois na prática ela se torna imperfeita e incompleta. De certa forma, não poder realizar todos os sonhos é um catalisador para a vitória.
Além de sonhar, dizer, proclamar o que é conveniente e o que fará bem, vale também pôr os desejos em prática e não é jogando moedas em fontes milagrosas que se consegue. Pior do que um revolucionário sem causa, é aquele que tem a causa formulada, mas não a põe em prática. Desejo desta forma, sorrir, fazer sorrir e brincar com o tempo, esquecendo que o passado não volta e o futuro é incerto. Um mundo ideal não teria a exclusão do diferente, abriria os braços e feito mãe, entoaria canções de ninar, acalentaria e diria: “o mundo é seu, independente de quem sejas.”.
Quando a cor não definir padrão, quando o céu não mais tiver buracos nem chorar gotas ácidas, quando o amor não for mais motivo de morte, quando a vida for sempre bem vinda, quando um sorriso voltar a abrir portas, quando a liberdade tiver o verdadeiro sentido para alguns e a ética entrar para o dicionário de outros, quando eu não precisar mais dizer qual é o mundo ideal... Nesse dia, não se falará em mundo dos meus sonhos, falar-se-á no mundo em que se vive com orgulho.





Ta aí um texto bem sem momento, feito num dia desses, iguais aos outros. Algumas coisas não saem e nossa cabeça, já percebeu? Por exemplo: o mundo é pequeno feito cabeça de alfinete, por vezes não acho digno o ponto dado pelo alfaiate. Fazer o quê? Nem todo mundo sabe dar pontos tão bem quanto minha mãe. Digno ou não dou aquele meio sorriso, desses que se dá a meio conhecidos, com metade de vontade e simpatia. Não, não é hipocrisia, não preciso de uma para viver, é apenas "comodismo", longe da falsidade mas beirando um personagem. Interessante

7 comentários:

leo disse...

Os textos sem momentos, traçados, delineados e incorporados em dias como quaisquer outros são os melhores, pq são textos desnudados, cruas reflexões de nossas vidas.
Parabéns pelo texto! Muito bom!
Abraço.

Renato disse...

bons textos vêm assim; não são planejados, vão se formando em sua cabeça como quem não quer nada, e quando vê, eles surgem como um estalo, como se estivessem sempre ali.

o que você disse foi aquilo que eu sempre quis dizer, mas minha cabeça só encontrava lugar para esse sentimento em um sonho mesmo. você conseguiu pôr meu sonho em palavras!

gostei do espaço. espero que não se importe, irei visitá-lo mais vezes.
um abraço!

M. A. disse...

Texto de final de ano. Chegou adiantado =)

Rafaela Cotta disse...

Eu posso realizar meu sonho? De no meio de um centro urbano, me vestir de palhaço, e brincar com todos na rua? Sem medo da reação das pessoas? Posso?

Monique disse...

"Words are flowing out like endless rain into a paper cup...
...Nothing's gonna change my world."

Angélica Lins disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Angélica Lins disse...

Fiquei mesmo impressionada com o texto!

"Também gostaria que novos amigos viessem com sua fome e histórias multiplicar vivências."

Estive aqui.

E gostei muito, muito mesmo do que li.

Tenha uma ótima semana. :)