Hoje foi um dia em que nada deu certo, quebrei a escova de dente, machuquei a gengiva com o fio dental, acabou o papel higiênico bem na minha vez, o pão virou carvão na torradeira, perdi o ônibus, não tinha dinheiro para táxi, o pneu da bicicleta estava furado, cheguei atrasado e fui demitido. Já estava por um fio na empresa mesmo, mas isto não significa que não queria tê-lo agora, o aluguel vence amanhã e minha conta bancária está sempre com vergonha, vermelha, encabulada com a quantidade de dívidas.
Pelo menos descansei, trabalhar quatro horas diárias é muito exaustivo: gente chata, café ruim e telefone insuportável. Quatro horas? Muito tempo! Deveria receber um prêmio por ter agüentado seis meses. “Lá vai o caranguejo dos empregos”, pensam meus inimigos, mal sabem eles que é tudo proposital, só quero experiência em várias profissões.
Quero enganar a quem? Entrei numa pindaíba sem fim! Será que é vergonhoso voltar para casa da mãe aos 35? Ao menos o cachorro quente dela é melhor que este do Zé Dogão, tirando a berinjela recheada com vinagrete e choio, mamãe cozinha bem.
Melhor esperar aquele concurso público... Seis horas de trabalho diário e só o quádruplo do meu antigo salário, não, mais fácil esperar, ainda mais no Brasil, sempre tem um bom emprego, impossível não ter um pra mim, logo eu, tão trabalhador e responsável.
Vou voltar para casa e aproveitar meu último dia de aluguel. Claro que vou a pé, gastei o dinheiro do ônibus com o Zé dogão. A ração do Napoleão acabou, vai comer o pão de ontem, melhor, da semana passada, o de ontem assado com óleo usado fica uma maravilha. Sorte eu tenho, apesar de hoje ter sido um dia de cão, vou ligar para a minha melhor amiga, a moça da operadora de celular, sempre informa meus créditos, mesmo que inexistentes. Isso que é amiga de verdade. Até mesmo em dias tempestuosos, sou bem atendido com um “Bom dia, seja bem vindo a nossa central de atendimentos”, ao menos lá sou bem vindo.
Pelo menos descansei, trabalhar quatro horas diárias é muito exaustivo: gente chata, café ruim e telefone insuportável. Quatro horas? Muito tempo! Deveria receber um prêmio por ter agüentado seis meses. “Lá vai o caranguejo dos empregos”, pensam meus inimigos, mal sabem eles que é tudo proposital, só quero experiência em várias profissões.
Quero enganar a quem? Entrei numa pindaíba sem fim! Será que é vergonhoso voltar para casa da mãe aos 35? Ao menos o cachorro quente dela é melhor que este do Zé Dogão, tirando a berinjela recheada com vinagrete e choio, mamãe cozinha bem.
Melhor esperar aquele concurso público... Seis horas de trabalho diário e só o quádruplo do meu antigo salário, não, mais fácil esperar, ainda mais no Brasil, sempre tem um bom emprego, impossível não ter um pra mim, logo eu, tão trabalhador e responsável.
Vou voltar para casa e aproveitar meu último dia de aluguel. Claro que vou a pé, gastei o dinheiro do ônibus com o Zé dogão. A ração do Napoleão acabou, vai comer o pão de ontem, melhor, da semana passada, o de ontem assado com óleo usado fica uma maravilha. Sorte eu tenho, apesar de hoje ter sido um dia de cão, vou ligar para a minha melhor amiga, a moça da operadora de celular, sempre informa meus créditos, mesmo que inexistentes. Isso que é amiga de verdade. Até mesmo em dias tempestuosos, sou bem atendido com um “Bom dia, seja bem vindo a nossa central de atendimentos”, ao menos lá sou bem vindo.
2 comentários:
Por mais que o brasileiro sofra, existe um grande senso de humor. Este que faz ele acordar cedo tdos os dias e não desistir de ir a luta, batalhas podem ser vencidas, no entanto a guerra continua ;D vlw por passar lá.. espero sempre
O melhoooooooor de todos né Machadãooo
Eu adorei esse poema.
Olha só escritor Machadão.
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