terça-feira, 16 de novembro de 2010


Eu queria ter um poço em casa, desses que poucos têm. A diferença é que eu sei poupar, iria tomar um gole por dia, uma gota, que seja. Não sou de esbanjar, nunca fui. É que às vezes me pego sem ter para onde correr, sobre o quê falar. Queria uma gotinha só. Hoje, por exemplo, escrevo sobre essa minha falta de criatividade crônica que me assola há um bom tempo, um ócio imaginativo que perdura mais do que deveria.
Vejo que essas pausas são necessárias, é como terra. Não entendo nada de plantação ou agricultura, até meus doze anos não sabia a diferença entre agricultura e pecuária, coisas que só as aulas de ciências nos trazem. Mas mesmo sem entender, acho que a lógica é a mesma, não adianta esperar imediatismo de uma coisa que depende do tempo, apesar de ser atemporal. Envolve também toda uma questão de subjetivação e identidade literária, mas esse não é meu caso, adoto o sincretismo.  Não que as beterrabas tenham crises existenciais ou os nabos se percam por divagações, no fundo sempre achei os repolhos mas inteligentes, aquelas camadas, não sei... Na verdade, acho que me arrependi da comparação.
E sem ter o que falar acabei falando dos repolhos e das camadas dele, que desânimo! E eu que pensei um dia fazer das palavras a minha vida, encontro-me na seca de uma vertente havia criados expectativas, mas da vida nada se espera além dela mesma que se finda por si só.  Quero guardar tudo isso e esperar um fim, alguém tem pipoca?

2 comentários:

N. disse...

Mesmo que uma pausa literária lhe traga desânimo ou desapontamento, consegues extrair de algum lugar uma gota de inspiração.
Uma não, várias gostas! olha esse texto que barato!
Talvez não venham dos repolhos, mas sim das suculentas, o cactos que armazenam água.
Guto, nem uma estiagem apavorante conseguiria secar a vertente do teu talento!

J. Machado disse...

Por falar em repolhos...deixa pra lá.
Olha, Guto queria esta falta do que escrever e escrever tão bonito assim!